quinta-feira, 18 de setembro de 2014

VIDA A DOIS - QUANDO O RELACIONAMENTO DÁ UMA ESFRIADA


Geralmente, em todo início de relacionamento, os casais ficam tão inebriados de amor e tesão, que parecem viver única e exclusivamente em função um do outro, em permanente estado de êxtase. Não se desgrudam. 

Ficam super animados, a auto estima bate lá em cima, ficam felizes.
O cérebro contribui com a liberação de algumas substâncias químicas ou hormônios do prazer, como a endorfina e a ocitocina, essa última é conhecida como o hormônio do amor. Trata-se de substâncias que lançadas no sangue desempenham uma série de funções, incluindo prazer e recompensa.
Porém, depois de algum tempo de convivência, alguns relacionamentos, quer sejam entre casados ou não, tendem a entrar num clima de intimidade de quente para morno. É como se o cérebro tivesse se habituado com aquela situação que deixou de ser novidade.  

Não significa necessariamente que o amor, o tesão e a admiração diminuíram, trata-se apenas de uma acomodação e calmaria depois daquele furacão de sentimentos e desejos do período inicial do relacionamento.  Isso não chega a ser um problema, no entanto, é bom ficarem atentos, para que a relação não entre em "piloto automático", pois com o tempo, essa situação poderá ameaçar a vida sexual e a saúde emocional do casal. 

Segundo alguns estudiosos, essa efervescência dos hormônios nos primeiros anos de relacionamento deve-se a nossa biologia, DNA de nossos ancestrais. Foi uma forma que a natureza encontrou para povoar o planeta, e assim perpetuar a espécie, pois em tempos remotos, a expectativa de vida era muito baixa em face do meio hostil que predominava na pré-história. 

Se aqueles estudiosos estão certos ou não, é assunto para especialistas. O fato é que, passado aquele período inicial das fortes emoções e do sexo em ebulição, quando tudo parecia ser um paraíso de felicidades e prazeres, a realidade bate à nossa porta. A primeira constatação que o casal vai ter, é a de que será impossível mascarar os defeitos e ressaltar apenas as qualidades depois de um certo tempo em que passaram a conviver juntos, afinal, ninguém é perfeito.

Some-se a isso, um dia intenso de trabalho na empresa, trânsito, estresse etc.  Chegamos em casa já cansados, e ainda há os afazeres do lar.  Está aí uma situação que pode nos levar sem percebermos a descuidar do relacionamento. 




Nessa fase é comum surgirem crises na vida a dois. Alguns casais mais impetuosos acham que o relacionamento deu uma esfriada, que o tesão não é o mesmo de antes, enfim, é nesse período que costuma surgir o fantasma das separações ou da infidelidade. Ocorre que relacionamentos extraconjugais ou separações precipitadas não é um caminho sensato nem a solução de problemas que inicialmente podem ser solucionados com diálogo ou mudança de posturas. 

Por puro comodismo, ou por acharem ser o caminho mais fácil, pessoas imaturas e impulsivas deixam de investir na relação, sobretudo nos dias atuais, onde nunca se fez tanta apologia ao sexo casual, e às relações descartáveis. Todavia, se não resolverem seus conflitos internos, procurando estar bem consigo mesmas, e o mais importante, deixarem de ter expectativas irrealistas em relação ao outro, se entediarão novamente com o terceiro ou quarto parceiro(a) numa sequência de insucessos nos novos relacionamentos. 


Ninguém é, nem será 100% feliz o tempo todo. Aquela impressão de que os outros casais são mais felizes é pura ilusão, todos passam ocasionalmente por conflitos, problemas e todo tipo de dificuldade.


Na fase da paquera e do namoro, tanto o homem quanto a mulher querem impressionar, e tendem a mostrar apenas o lado melhor de suas personalidades, qualidades e hábitos. É algo meio que automático. Capricham na roupa, no perfume, nos elogios, tudo para agradar. O objetivo é conquistar o outro e te-lo(a) junto a nós. 


Porém, depois de um certo tempo de convivência, perdem um pouco disso. Não sentem mais a necessidade de manter aquela imagem. Deixam submergir o lado verdadeiro,  real e natural de cada um.  

Esse é um fato que acontece em todos ou pelo menos em quase todos os relacionamentos, quer sejam entre casados ou não. Não se trata de algo negativo, e em hipótese alguma é motivo para o desencanto, contudo, pelo fato do relacionamento estar estabilizado e já haver familiaridade e intimidade suficientes, alguns casais acham que podem ter a liberdade para descuidar de gentilezas que outrora eram diárias, e assim, diante de qualquer divergência ou conflito dialogam de forma ríspida ou impositiva, ou seja, acham que o parceiro (a) deve aguentar tudo por que se amam. Isso é um grande erro cometido por muitos casais, e se não evitados, poderá ocasionar o esfriamento da relação. Como é que um casal poderá ter ânimo e disposição para relacionarem-se de forma afetuosa, sorrirem, ou ter uma noite de amor, se durante o dia houve brigas, surgiram mágoas e ressentimentos?  

Diferentemente da mulher, o homem não tem o hábito de discutir a relação, mesmo estando insatisfeito com algo. Esta atitude masculina de não se abrir emocionalmente é prejudicial na medida em que as insatisfações vão se acumulando, aí, o que inicialmente era um pequeno detalhe, lá na frente poderá se transformar num  problema ou na gota d'água que faltava para detonar o relacionamento.


Com a correria do mundo moderno, muitos casais por vezes ficam cansados do dia a dia, trabalho, filhos, casa, contas a pagar, etc. Devido a tudo isso, muitos acabam deixando de lado os prazeres da vida. Quando isso acontece deve ser ligado o sinal de alerta, o prazer não deve ser buscado somente na cama, mas, durante todo o dia. 


É importante ter momentos de lazer, inovar seus dias, fazer uma atividade física, não deixando que o estresse do mundo faça com que você deixe de apreciar as boas coisas da vida. Sentir-se bem melhora o cotidiano dos casais e o desempenho sexual, impactando positivamente no bem estar e qualidade de vida.




O fato é que não devemos nos deixar acomodar. Cabe ao casal investir na relação para sacudir a rotina e a mesmice do dia a dia, procurando sempre que possível, planejar programas a dois, como viagens, mesmo que seja apenas por um final de semana, um cinema; ou outro passeio qualquer. Seduzir e conquistar o(a) parceiro(a) diariamente como ocorria nos primeiros encontros do casal. Ter senso de humor, não esquecer de detalhes como beijos, abraços, um presente num dia inesperado, enfim, usem a criatividade para apimentar a vida a dois. 

Não espere que o outro tome a iniciativa, pois o outro também pode estar esperando a sua iniciativa, ou ambos não estão esperando nada por puro comodismo.

Se o casal tiver filhos, deve dedicar o tempo que for necessário a eles, com muito amor e dedicação, porém, não devem esquecer de investir também na relação amorosa, afinal, os filhos crescem e se vão, seguem seus caminhos, e o casal permanece.

Quanto ao sexo, ele não é tudo numa relação, mas é essencial para proporcionar prazer e aproximar o casal numa ligação ímpar que alimenta o corpo e a alma. Por isso, não devemos deixar que a familiaridade e a correria do dia a dia diminua a chama de algo tão importante para a estabilidade do casal. É um investimento que vale a pena.

Sei que essa frase é um clichê, mas nunca é demais relembrar: "O relacionamento é como uma plantinha que precisa ser regada todos os dias ou pelo menos com uma certa frequência, caso contrário morrerá".




Luiz Lira
Atuo na área de Recursos Humanos.
Nas horas vagas, gosto de ler, refletir e opinar sobre comportamento, relacionamentos e dilemas do cotidiano. 
Gosto de compartilhar temas que estimulem a reflexão.

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