quarta-feira, 28 de agosto de 2013

VIDA A DOIS - FANTASIA E REALIDADE

Não somos perfeitos
Nós seres humanos não possuímos a perfeição que gostaríamos de ter, logo, temos defeitos, carências, ressentimentos, mágoas, melindres etc. Por conseguinte, em todo relacionamento é comum surgirem alguns conflitos ou divergências, seja entre amigos, colegas de trabalho, namorados, irmãos, entre pais e filhos etc. Conflitos são inerentes as relações humanas. 

No casamento ou nas uniões consensuais não seria diferente, afinal, trata-se de duas pessoas com afinidades, mas também com incompatibilidades. Sendo assim, é natural que na vida a dois, além dos ótimos momentos, também hajam alguns conflitos. Devido a esses pequenos descompassos, algumas pessoas veem essas uniões com uma certa aversão, como se problemas e conflitos fossem algo inerente apenas a esse tipo de relacionamento. Querem que na vida a dois tudo seja maravilhoso como no mundo mágico da disney. 
Seria muito bom se assim o fosse, porém, devemos sair do mundo da fantasia e encarar a vida real. 
Mesmo que o casal tenha uma boa química, somente isso não vai bastar para o êxito do relacionamento.


A vida à dois, requer responsabilidade e maturidade.



Precisamos compreender que cada ser é uma individualidade, que pensa e age de forma diversa. Por isso na convivência diária as diferenças acabarão aflorando. Devemos nos empenhar na medida do possível, para que essas diversidades de sentimentos e opiniões não desgastem o relacionamento, e sirvam de aprendizado para o fortalecimento da relação.

Todos nós queremos ser felizes, porém, a felicidade plena não existe. O príncipe ou a princesa encantada só existem no mundo da fantasia.
É óbvio que queremos amar e sermos amados por alguém que preencha todas as nossas necessidades afetivas, em todos os sentidos. Ter alguém perfeito ao nosso lado, que nos entenda, que concorde com tudo, que até adivinhe os nossos desejos e os satisfaça. Seria uma maravilha não é mesmo? 
Mas, será que seria mesmo? 
Uma relação amorosa, onde ocasionalmente não haja divergências e diferentes pontos de vista, seria um tédio. Ficaríamos estacionados na vida e não progrediríamos. Seríamos como anjos tocando harpa no céu, sem nada para fazer, apenas contemplando o nada.
Os conflitos e os problemas do dia a dia são desafios que nos ensinam e nos impulsionam a ir em busca de soluções, a  lutar para atingirmos determinados objetivos, permitindo assim, que cresçamos enquanto pessoas.
Essa busca para alcançar algo é o que nos motiva, afinal somos movidos à adrenalina, desejos e emoções. 



A ilusão do conto de fadas 

Há casais que movidos apenas pelo tesão e pela beleza externa, decidem morar juntos levando consigo muitas ilusões, achando que encontraram a pessoa perfeita, como se fizessem parte da história da Cinderela ou da Bela Adormecida, porém, passada aquela fase inicial de encantamento, onde há muitas idealizações, começam a surgir os primeiros contratempos, o que é perfeitamente natural, afinal, não somos perfeitos.
Se o casal não tiver maturidade, vai se frustrar rapidamente, por faltar a um deles ou a ambos, a tolerância, a compreensão e a humildade de ceder. Para que um relacionamento prospere, ambos tem que ceder, hoje um parceiro cede, amanhã é o outro. Não se trata de tornaram-se submissos ou se anularem, mas ceder naquilo que é possível e razoável. 

Respeitar e se colocar no lugar da outra pessoa é compreender suas limitações. 
É por faltar esse entendimento que há tantas separações. Depois culpam a instituição do casamento, quando na verdade são os casais que não possuem maturidade suficiente. 
Idealizam um parceiro (a) que só existe em contos de fadas.
Iniciam o relacionamento criando expectativas irreais e condicionando a própria felicidade ao outro, quando na verdade somos nós os responsáveis pela nossa felicidade.

O parceiro (a) é apenas um companheiro de jornada, que tanto quanto nós, também possui defeitos , anseios, inseguranças e carências. 

Início do relacionamento
Durante a fase de namoro, ou "ficar" , os casais se encontram apenas para se divertirem, passear, ir a festas, cinema, teatro, fazer sexo, etc. Nesse período em que só há curtição, os casais ficam tão inebriados pela sedução, pelo amor, etc., que tendem a demonstrar somente o lado puro e bom de suas personalidades. Tudo é uma maravilha, não é mesmo?

Juntando as escovas
Contudo, o relacionamento efetivamente começa para valer quando os dois resolvem morar juntos. A partir daí, o foco muda um pouco, já que surgirão uma série de responsabilidades e compromissos inerentes a vida a dois, como contas para pagar, mercado para fazer, tarefas domésticas para serem divididas entre o casal, manutenção da casa, preocupação com o bem estar dos filhos, etc., ou seja, ambos terão que abrir mão de algumas coisas que faziam quando eram solteiros, pois tinham todo o tempo do mundo, afinal, tinham a mãe ou a empregada, que lavava, passava, cozinhava, enfim, fazia quase tudo para você.
É justamente nesse momento que o casal deverá demonstrar maturidade e provar a sinceridade de seus sentimentos. 
Devem ter uma nova atitude em relação à vida e à pessoa com quem dividirá o mesmo teto. 

Sexo não é tudo no relacionamento, mas é muito importante.
Nos primeiros anos de relacionamento há aquele fogo da paixão que incendeia os corações e a cama dos casais, porém, após anos de união, alguns relacionamentos tendem a entrar no "piloto automático". Cabe ao casal sair dessa situação procurando quebrar a rotina diária, planejar programas a dois,  seja através de viagens ocasionais, um cineminha, sair um pouco da rotina, etc.

Passada aquela fase do sexo em ebulição, o tesão que muitas vezes parecia incontrolável tende a ir se acalmando com o decorrer dos anos, por conseguinte, aquele ímpeto de querer fazer sexo com frequência quase que diária passa a ser semanal, e depois fica condicionado ao tempo e disposição do casal. Isso não significa que o interesse pelo outro diminuiu. Se o casal realmente se ama, e se a união tiver sido alicerçada em bases sólidas, nada os impedirá de terem êxito no relacionamento, apesar dos pequenos problemas que são comuns a qualquer casal.

Não existe nada mais gratificante do que ter alguém a seu lado em todos os momentos para compartilhar alegrias, vitórias, tristezas, dúvidas, incertezas, tesão e amor. 



Embora não admitamos, muitos de nós temos a tendência de querer que nossos desejos sejam sempre satisfeitos. Há momentos em que ficamos tão centrados em nós mesmos, que deixamos de perceber a necessidade do outro. A vida a dois nos permite sair um pouco desse egocentrismo, pois nos impele a deixar de pensar somente em nós. Esse sentimento aumenta quando nos tornamos pai ou mãe.

Há pessoas que dizem não quererem se amarrar a ninguém para não se sentirem "presas". Ora, mas casais que se sentem presos, é porque não se amam, na verdade estão convivendo numa relação doentia.
Ninguém que tenha a liberdade tolhida se sente feliz, porém, isso não quer dizer que ambos devam agir e se comportar como se não estivessem num relacionamento com compromisso. Numa relação a dois deve haver respeito, cumplicidade e amor.

Uma definição de liberdade, por Chico Xavier:


" O amor não prende, liberta! Ame porque isso faz bem a você, não por esperar algo em troca. Criar expectativas demais pode gerar decepções. Quem ama de verdade, sem apego, sem cobranças, conquista o carinho verdadeiro das pessoas" - Chico Xavier.


Se ser solteiro fosse a receita certa para a felicidade, não haveria milhões de uniões acontecendo diariamente no mundo inteiro.  
Quando chegar o momento certo, com a pessoa certa, você saberá. É algo meio intuitivo.


Luiz Lira

Atuo na área de Recursos Humanos.
Nas horas vagas, gosto de ler, refletir e opinar sobre comportamento, relacionamentos e dilemas do cotidiano. 
Gosto de compartilhar temas que estimulem a reflexão.

Algumas citações para reflexão:


"Os que se casam e cultivam a ideia de que permanecerão  juntos somente enquanto os dias forem dourados ou como numa lua de mel, já iniciam esse caminho predispostos à separação" - do livro Casamento investir ou desistir


"Precisamos entender que não existe ser humano ideal. O que existe é o ser humano certo. O ser humano ideal não possui defeitos. O ser humano certo tem defeitos, qualidades, e na soma de tudo é um resultado em que você resolve acreditar" - Fábio de Melo


"Ninguém aguentaria ser tão perfeito num relacionamento por tanto tempo sem que as rachaduras da personalidade surjam rapidamente" - Frederico Mattos, Psicólogo, e autor de livros de auto ajuda.


" Os jovens (mulheres e homens) costumam estar cheios de ilusões acerca do casamento e da vida a dois.

A partir de todo um repertório colhido em conversas, TV, filmes e livros, eles vão planejando como as coisas deverão acontecer para que sejam felizes.
Imaginam uma pessoa capaz de dividir o sonho que sonharam para si e criam uma série de expectativas com relação ao parceiro.
E mesmo depois que se casam, a fantasia não acaba. Quer dizer: nós nos casamos e ficamos esperando que o(a) companheiro(a) aja ou reaja conforme planejamos, que goste do que achamos apropriado, que fale o que esperamos ouvir...Quando percebemos a verdade - que suas prioridades são diferentes das nossas, que o que é importante pra nós não é pra ele - sobrevém uma desilusão.
Ficamos bravos, sentimo-nos enganados.
Tentamos mudar a outra pessoa, fazê-la se encaixar nos nossos moldes, na nossa ilusão...Ao insistir nisso, criamos tensão e mágoa, vivemos tão mal que parece que não há mais amor...
Mas o amor não tem que acabar, quando acaba a ilusão.
As pessoas são como são; nós é que fantasiamos a respeito delas. Do livro Famílias espiritualmente inteligentes - Autora Rita Foelker


Luiz Lira

Atuo na área de Recursos Humanos.
Nas horas vagas, gosto de ler, refletir e opinar sobre comportamento, relacionamentos e dilemas do cotidiano. 
Gosto de compartilhar temas que estimulem a reflexão.