segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O SER e o TER


O corre corre da vida diária

Na correria diária do mundo moderno onde predomina a competitividade e a "falta de tempo", sem que percebamos passamos a agir de forma individualista ao deixarmos de vivenciar coisas importantes da nossa curta existência física.
As pessoas tem vivido de forma tão automática, que às vezes nem se dão conta que estão interagindo pouco com o seu filho, irmão, amigo, ou outro alguém que faça parte da sua vida para desfrutar de alguns momentos de lazer, conversar demoradamente, rir, dar atenção, e ouvir sem se preocupar com o relógio, celular ou outros afazeres? 
Devido a esse ritmo de vida acelerado, passamos a levar a vida de uma forma muito séria. Mais razão e zero emoção. É como se as pessoas tivessem colocado suas vidas no "piloto automático".

Os anos vão passando, e perdemos oportunidades de expressarmos nossos sentimentos enquanto estamos ao lado de quem amamos ou estimamos, simplesmente por que achamos que não é tão urgente e que poderá ser expressado ou dito em qualquer outro dia. Amanhã, talvez não tenhamos essa oportunidade.



A busca desenfreada pelo TER

Infelizmente cada vez mais os indivíduos estão sendo valorizados apenas pelo ter. Para algumas pessoas, ser bem sucedido resume-se apenas a uma excelente conta bancária. 
O fato é que apenas o ter não nos trará a tão sonhada felicidade, porque o mais importante na vida é SER.
As pessoas precisam parar de correr atrás do apenas ter, e também começar a correr atrás do SER: Ser educado; Ser Amigo; Ser Amado; Ser Gente; Ser Humano.
São as atitudes e não o "ter" que revelam o caráter de alguém.

Os valores imateriais como a riqueza interna do ser humano, a sabedoria, a virtude e nobreza de sentimentos, são perenes, ninguém os perde. 
O Ser é imutável, o ter é passageiro. Mesmo que dure, pode não trazer a tão almejada felicidade, aí surge o vazio na vida das pessoas. 
Atualmente, apesar de terem mais conforto material em comparação ao século passado, o mundo nunca se viu envolto com tantas doenças psicossomáticas/mentais, como a depressão por exemplo.

Alguém poderia perguntar: Então é prejudicial possuir muitos bens, dinheiro, carro do ano, todas as novidades tecnológicas etc, ? É claro que não. Trabalhamos para o nosso bem estar, para ter e progredir. O problema, é que as pessoas estão vivendo apenas em função do ter e do consumir. 
A sociedade tem se tornado cada vez mais materialista e egocentrista. Por conta disso, as pessoas tendem a se isolar em seus mundos particulares, em detrimento do encontro com amigos(as), do olho no olho, do abraço, do aperto de mão, do bate papo descontraído, da simplicidade do ser, que outrora tornavam as pessoas mais humanas, acolhedoras, acessíveis, amigas e simpáticas.
A internet é o grande paradoxo desse mundo contemporâneo. Ela surgiu para facilitar a comunicação e aproximar as pessoas virtualmente, porém, ela tem contribuído para afastar as pessoas do contato pessoal.


Os jovens, o mundo real e o virtual



Os jovens é a parcela da população que mais sentem o impacto dessa cultura do ter e do consumismo desenfreado. 
Vejamos:  O mundo virtual por vezes sobrepõe-se ao real. Nas redes sociais as pessoas parecem querer mostrar que têm e que são felizes o tempo todo, daí começam a postar fatos isolados de sua vida social, como o almoço em um restaurante badalado, aquela viagem dos sonhos, festas, fotos onde estão sempre rodeados de gente bonita e feliz , enfim, parecem viver no mundo mágico da Disney, passa a impressão que o cotidiano dessas pessoas é um mar de rosas, um paraíso.
É óbvio que é bom e prazeroso registrar momentos felizes das nossas vidas, porém, devemos refletir se não estamos priorizando demais o mundo virtual em detrimento do mundo real. 

O fato é que na internet há uma tendência ao exibicionismo. As pessoas peneiram apenas o que é bacana e bonito mostrar. Valorizam o que aparenta ser, e não o que realmente é.

Em contrapartida, aquele outro jovem com uma vida social não muito interessante, imaturo ou sem esclarecimento, baseando-se apenas nas redes sociais e em todo o mundo virtual, passa a acreditar erroneamente que a vida dos outros é uma maravilha, que os amigos não tem problemas, é só curtição, que a família do outro ou o vizinho é mais feliz, e que apenas a vida dele não tem sentido algum, quando na verdade o que não tem sentido é essa mania de ostentação e a busca desenfreada pelo ter.

As pessoas precisam entender que problemas e frustrações são inerentes a vida de todos, sem exceção. Ninguém é 100% feliz ou tem tudo o que quer. Esse entendimento minimizaria em parte os problemas das drogas, da depressão e outros transtornos mentais que vem atingindo um número cada vez maior de jovens, conforme revelado por recente pesquisa.
Outro dado preocupante é o número de suícidio de jovens que vem crescendo nos últimos anos (vide link no final desta postagem) 

No dia a dia, temos contatos com muitas pessoas, porém, devido a pressa, ou o individualismo crescente da nossa sociedade, esses contatos acontecem de forma breve e superficial, impedindo assim, que as pessoas se aproximem para estreitar os laços de amizade.  

Não sou saudosista e nem preso ao passado, mas convenhamos, as gerações passadas eram mais solidárias no quesito relações humanas.
Por isso, tente sempre SER e não apenas ter.
Assim você sentirá uma Felicidade verdadeira e sem preço.


"As coisas mais simples da vida são as mais extraordinárias, e só os sábios conseguem vê-las" - Paulo Coelho.
Ser
"O maior presente que eu posso dar a outro ser humano é ver o "ser" dentro da vestimenta humana. Quando vejo o "ser vivo" cheio de qualidades e virtudes, eu reforço uma verdade muito mais profunda do que o corpo físico. Que hoje eu preste atenção nas qualidades de cada pessoa que eu encontro em vez de olhar (apenas) para a forma física dela." -  Brahma Kumaris
 


Luiz Lira
Atuo na área de Recursos Humanos.
Nas horas vagas, gosto de ler, escrever, refletir e opinar sobre comportamento, relacionamentos e dilemas do cotidiano. 
Gosto de compartilhar temas que estimulem a reflexão.
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